Ex-agente que era chefe do tráfico foi preso dentro do apartamento de David no Espírito Santo

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A prisão de Édson Vander da Silva Júnior, de 32 anos, apontado pela polícia como chefe do tráfico de drogas na Serra, Grande Vitória, aconteceu dentro de um apartamento de luxo que pertence ao jogador David Corrêa (conhecido como “DVD”), do Vasco.

De acordo com as investigações da Polícia Civil do Espírito Santo, o suspeito, capturado em agosto de 2024 em Vila Velha, atuava como empresário e gestor das finanças e da carreira do atleta ao mesmo tempo em que liderava o tráfico de drogas no bairro Serra Dourada 3. Ele foi preso por envolvimento em uma tentativa de homicídio ocorrida em março daquele ano.

Como foi tentativa de assassinato

O crime ocorreu em meio à uma disputa pelo domínio do tráfico, em março de 2024. De acordo com a investigação, o atentado foi motivado pela desconfiança de que a vítima, um jovem que era próximo ao ex-agente e ao segundo suspeito, Ruan de Freitas Camargo Cruz, estaria vazando informações do grupo para uma facção rival.

Na ocasião, a vítima foi sequestrada no bairro Serra Dourada 3 e colocada em um carro clonado de Ruan, que viajava no banco do carona. O automóvel era conduzido por outro suspeito e trazia ainda um adolescente no banco traseiro para vigiar a vítima, em uma ação planejada e ordenada por Édson.

Ao chegarem ao bairro Novo Porto Canoa, os executores desembarcaram do carro para conversar, momento em que o jovem aproveitou a distração do grupo para correr e tentar escapar.

Ele foi baleado durante a fuga e caiu ao chão — na sequência, um dos atiradores se aproximou para confirmar a morte e efetuou mais um disparo contra as costas da vítima, que conseguiu sobreviver ao se fingir de morta.

Após a ação, a vítima colaborou diretamente com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, prestando depoimentos que permitiram à polícia identificar todos os participantes da emboscada.

Prisão em Vila Velha

Édson Júnior foi preso no dia 20 de agosto de 2024 em um apartamento de luxo localizado em Vila Velha, na Grande Vitória, e que pertence ao jogador David Corrêa. Na mesma operação, os policiais prenderam Ruan de Freitas Camargo Cruz, de 27 anos.

Segundo a polícia, a dupla havia assumido o controle do tráfico de drogas em Serra Dourada 3 após o assassinato do antigo chefe do local, conhecido como “Leleto”, ocorrido no mesmo ano.

Juntos, eles coordenavam a compra de entorpecentes, a divisão de tarefas, a aquisição de armas e munições e realizavam transferências financeiras via Pix.

Mensagens no celular revelaram diálogos com o jogador

A partir da apreensão e da análise pericial do celular de Édson Júnior, autorizada pela Justiça, a polícia localizou conversas diretas entre o agente e o jogador de futebol. Três diálogos chamaram a atenção das autoridades por indicar o possível financiamento do tráfico de drogas por parte de David Corrêa:

  • Reação a atentado: Logo após uma tentativa de homicídio contra um jovem local, Édson Júnior enviou informações sobre o estado de saúde da vítima no hospital. David respondeu por mensagem de texto: “Ele mereceu tomar uns tiros mesmo”.
  • Incentivo ao uso de armas: Em outra conversa, Édson enviou a David a foto de uma pistola de grosso calibre. O atleta respondeu por escrito: “Tem que matar um para ver de qual é”
  • Pedido de verba para trocar carro: Três dias após o crime, Édson encaminhou a David um áudio enviado por Ruan. No áudio, Ruan solicitava dinheiro em espécie para substituir o veículo que havia sido utilizado na tentativa de homicídio.

Entenda investigação

A investigação da Polícia Civil do Espírito Santo que aponta o atacante David Corrêa, do Vasco, como suspeito de financiar o crime organizado na Serra teve como ponto de partida uma tentativa de homicídio ocorrida em 15 de março de 2024, no bairro Novo Porto Canoa.

Na ocasião, um jovem foi sequestrado em Serra Dourada 3 sob a desconfiança de que estaria vazando informações das atividades do tráfico para uma facção rival.

Ele foi transportado em um veículo clonado e baleado nas costas pelos criminosos, mas sobreviveu ao se fingir de morto e, posteriormente, colaborou diretamente com a delegacia especializada para identificar os autores do atentado.

O elo entre o jogador de futebol e a quadrilha armada era seu então empresário e gestor de carreira, Édson Vander da Silva Júnior, de 32 anos, que controlava toda a vida financeira do atleta ao mesmo tempo em que chefiava o tráfico de drogas local. Édson foi preso em 20 de agosto de 2024 em um apartamento em Vila Velha.

A partir da análise pericial autorizada pela Justiça no celular apreendido com o empresário, a polícia descobriu conversas diretas com o jogador que indicavam a sua conivência com a violência do grupo e o possível financiamento da estrutura criminosa.

As descobertas levaram ao compartilhamento do inquérito com o setor de inteligência da Polícia Civil, culminando na deflagração da Operação “A Tropa” na segunda-feira (31).

A ação integrada mobilizou cerca de 120 policiais civis para cumprir 15 mandados de busca e apreensão e 4 de prisão temporária de forma simultânea no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal.

As investigações seguem sob sigilo e, por isso, mais detalhes não foram divulgados.

Fonte: g1

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