Opinião: Grêmio volta à realidade e derrota para Vitória expõe velhos problemas

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Após a grande atuação no Gre-Nal, o Grêmio voltou a mostrar falta de criatividade e regularidade na derrota por 1 a 0 para o Vitória.

Após grande atuação no Gre-Nal, Tricolor volta a ser previsível, pouco criativo e incapaz de ameaçar o adversário.

O Grêmio teve, contra o Vitória, exatamente o jogo que não poderia fazer depois da esperança criada pela grande atuação no Gre-Nal. A derrota por 1 a 0, em Salvador, não representa apenas mais um resultado ruim fora de casa. Ela recoloca sobre a mesa problemas que pareciam, ao menos momentaneamente, terem sido deixados para trás.

Contra o Internacional, o Grêmio mostrou organização, aproximação entre os setores, calma e repertório. Contra o Vitória, voltou a ser um time previsível, com enorme dificuldade para criar pelo meio-campo e incapaz de encontrar aquele último passe capaz de quebrar linhas.

A pergunta feita antes da partida, portanto, continua sem resposta: o Gre-Nal foi o início de uma evolução ou apenas uma exceção dentro de uma temporada marcada pela irregularidade?

Entre os oito e aproximadamente 20 minutos do primeiro tempo, o Grêmio até conseguiu ocupar mais o campo ofensivo e pressionar o Vitória em alguns momentos. Mas foram ataques pouco construídos, muitas vezes originados em bolas rebatidas ou tentativas pelos lados do campo.

Faltou novamente aquilo que separa uma posse de bola improdutiva de uma jogada realmente perigosa: criatividade. O Grêmio não encontrou soluções pelo corredor central e raramente conseguiu colocar seus atacantes em condições favoráveis para definir.

O MEIO-CAMPO QUE NÃO CONSEGUE CRIAR

O principal problema do Grêmio voltou a aparecer justamente onde o time mais precisa encontrar alternativas. O meio-campo não conseguiu construir jogadas, acelerar no momento correto ou entregar aquele passe entre linhas que desmonta uma defesa organizada.

Carlos Vinícius, novamente, ficou pouco abastecido. Um centroavante da sua qualidade precisa receber bolas em condições de finalizar, mas o Grêmio não conseguiu produzir o suficiente para transformar sua referência ofensiva em protagonista da partida.

Também não houve força consistente pelos lados. E nesse ponto, a ausência de Amuzu foi sentida. O jogador tem uma característica que poucos nomes do elenco conseguem oferecer: enfrentamento individual, velocidade e capacidade para quebrar linhas.

Amuzu é aquele jogador que chama o marcador, tenta o um contra um e cria desequilíbrio. Sua ausência deixou o Grêmio ainda mais previsível em uma noite na qual a equipe precisava justamente de alguém capaz de inventar uma solução.

Mas algumas escolhas também precisam ser discutidas. Pavón vinha atuando pelo seu lado e entregando aquilo que se espera dele: mesmo com limitações técnicas, apresenta vontade, intensidade e disposição para participar do jogo.

A mudança de posição e a entrada de Tetê, porém, novamente não funcionaram. E aqui não há mais como ignorar o que vem acontecendo em campo.

TETÊ PRECISA SER REPENSADO PELO GRÊMIO

É difícil assistir a Tetê e encontrar participação ofensiva que justifique sua permanência como alternativa frequente. O jogador não consegue produzir jogadas, não vence no um contra um, pouco participa de tabelas e raramente cria situações de vantagem para o time.

É irritante ver um setor do campo simplesmente deixar de produzir. E essa sensação volta a aparecer quando Tetê recebe oportunidades e não consegue transformar sua presença em algo efetivamente útil para o Grêmio.

O clube precisa começar a pensar seriamente no futuro do jogador. O Grêmio não pode insistir indefinidamente em um atleta que, até aqui, não consegue entregar aquilo que o time precisa dentro de campo.

Outro nome muito abaixo foi Villasanti. Um dos jogadores mais confiáveis do elenco, acostumado a combater com intensidade e também aparecer no apoio ofensivo, esteve longe daquilo que normalmente apresenta.

Não conseguiu proteger a primeira linha como de costume e tampouco teve força para chegar ao ataque. Foi uma atuação irreconhecível de um jogador que costuma ser fundamental para o equilíbrio da equipe.

Nem mesmo Wallace, que vinha sendo um dos destaques defensivos desde sua chegada, escapou de uma noite abaixo. Pela primeira vez, uma falha importante do jogador chamou atenção.

No gol do Vitória, em uma cobrança de escanteio, Wallace participava da marcação por zona e não acompanhou o jogador que apareceu livre após a bola passar por sua região. O lance terminou no gol que decidiu a partida.

O GRE-NAL NÃO PODE SER UMA EXCEÇÃO

No segundo tempo, o Vitória conseguiu controlar melhor as ações. O Grêmio até tentou reagir, mas novamente sem criatividade, sem força ofensiva e sem capacidade para realmente assustar o adversário.

Esse talvez seja o aspecto mais preocupante da derrota: o Grêmio não conseguiu sequer construir uma pressão capaz de fazer o Vitória temer o empate.

E então voltamos ao ponto central. Por que o Grêmio consegue fazer um primeiro tempo como aquele do Gre-Nal e não consegue transformar aquele padrão em algo minimamente regular?

Por que a equipe não repete a mesma organização tática, a mesma aproximação entre os setores e a mesma disposição demonstrada em uma partida tão importante?

O Grêmio segue perigosamente próximo da zona de rebaixamento. E precisa entender que não será suficiente vencer apenas os jogos em casa para se livrar definitivamente de qualquer risco.

O próximo compromisso contra o Vasco ganha ainda mais importância. É um jogo que o Grêmio precisa vencer. Mas, acima de tudo, precisa começar a encontrar uma regularidade que até agora não conseguiu demonstrar.

A atuação contra o Vitória serviu como um duro banho de realidade. O Grêmio mostrou no Gre-Nal que sabe jogar. O problema é que ainda não consegue provar que sabe repetir.

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