Palmeiras teve o controle da partida, mas transformou domínio em vantagem mínima. Os números mostram superioridade e a dificuldade foi exposta pelo volante
O Palmeiras venceu a LDU por 1 a 0, largou na frente nas quartas de final da Libertadores e fez aquilo que precisava no primeiro capítulo do confronto. Nesta quarta-feira (9), no Nubank Parque, o Verdão teve domínio suficiente para construir uma vantagem mais confortável, mas saiu de campo com uma margem que mantém o confronto completamente aberto para a altitude de Quito.
Os números ajudam a explicar a sensação. O Palestra terminou a partida com 16 finalizações contra apenas quatro da LDU, além de cinco chutes no alvo contra um do adversário. Também teve 62% de posse de bola, seis escanteios e conseguiu levar 12 das suas finalizações para dentro da área. É um retrato de superioridade territorial e ofensiva. O problema está justamente naquilo que o placar não mostra: todo esse volume produziu apenas um gol.
Não seria correto dizer que o Palmeiras não criou. Criou. O time equatoriano passou boa parte do jogo defendendo e teve pouquíssimas oportunidades. O ponto é que, quando uma equipe domina tanto um adversário, precisa transformar essa superioridade em uma vantagem proporcionalmente maior.
Marlon foi direto ao ponto
Neste sentido, Marlon Freitas, em entrevista a Paramount, no final da partida, não escondeu o problema: “Vou valorizar a nossa entrega, a forma que entramos concentrado do começo ao fim. Mas, precisamos melhorar o passe, uma melhora coletiva, para chegarmos com mais clareza na frente, para deixar nossos atacantes em melhores situações”, abordou o volante, diagnosticando o que falta ao Verdão.
A equipe voltou a esbarrar em uma questão que já apareceu em outros momentos recentes: volume não significa necessariamente eficiência. O Palmeiras chegou perto da área adversária diversas vezes, recuperou a bola, ocupou o campo ofensivo e empurrou a LDU para trás. Faltou transformar algumas dessas situações em finalizações mais limpas, decisões mais rápidas e, principalmente, gols. Em mata-mata, esse detalhe deixa de ser estatística e vira patrimônio.

Vitor Roque está inserido nessa discussão, mas não deveria ser tratado como o único responsável. O centroavante precisa, evidentemente, participar mais das conclusões e transformar presença em ameaça real. Porém, o problema ofensivo foi coletivo. Arias retornou ao time titular, o Palmeiras teve superioridade numérica e territorial e ainda assim não conseguiu ampliar o placar. A volta do colombiano é importante, mas não funciona como uma espécie de botão mágico capaz de resolver todos os problemas de criação e definição.
Defesa mais uma vez como pilar de eficiência
Do outro lado, existe uma notícia muito boa para Abel: defensivamente, o Palmeiras praticamente não permitiu que a LDU jogasse. Quatro finalizações adversárias e somente uma no alvo mostram uma equipe que conseguiu controlar os principais caminhos do rival. A estrutura com três zagueiros funcionou, os espaços foram bem protegidos e o adversário encontrou enorme dificuldade para transformar posse ou recuperação de bola em ameaça.
Só que a mesma solidez defensiva que hoje permite comemorar também não pode virar uma desculpa para a produção ofensiva. Não dá para planejar Quito imaginando que o sistema defensivo precisa de uma atuação quase perfeita durante 90 minutos. A altitude muda o jogo, aumenta o desgaste e oferece à LDU um ambiente completamente diferente daquele encontrado em São Paulo. Isso sem falar que o Palestra não terá Gustavo Gómez.
A LDU sobreviveu ao jogo em que o Palmeiras tinha a obrigação de aproveitar o mando e construir vantagem. Agora, o confronto será levado para Quito, justamente onde o adversário é mais confortável e onde o Palmeiras terá de lidar com uma condição física e ambiental muito diferente. O jogo de volta está marcado para a próxima quarta-feira, dia 16.
A revanche ‘invertida’ em Quito demanda alerta total no Palestra
Existe ainda um componente que torna tudo mais curioso: no ano passado, Palmeiras e LDU protagonizaram uma semifinal completamente diferente. O Verdão perdeu por 3 a 0 em Quito e depois conseguiu uma virada histórica por 4 a 0 em São Paulo. Desta vez, o roteiro começou ao contrário: vitória palmeirense em casa, mas por apenas um gol. A lembrança daquele confronto serve menos como superstição e mais como demonstração do tamanho que a altitude pode adquirir dentro dessa eliminatória.
O Verdão sai vencedor, mas não exatamente tranquilo. O 1 a 0 é uma vantagem, o desempenho mostrou que poderia ter sido uma vantagem maior. Abel tem uma defesa capaz de sustentar o resultado, um sistema que conseguiu limitar a LDU e jogadores suficientes para produzir mais ofensivamente. O desafio agora é transformar esse domínio em eficiência. Porque em Quito, cada chance desperdiçada nesta quarta-feira poderá reaparecer na memória do Palmeiras com um peso muito maior.




