Opinião: A torcida do Corinthians tem algo que não cabe em nenhuma apresentação de sala

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Torcida do Corinthians mostra força que vai além do marketing e faz patrocinador enxergar o clube por outro ângulo

Tenho para mim que apaixonar-se pela torcida corinthiana não é uma tarefa muito difícil. E digo isso com bastante convicção. Até mesmo aqueles que vivem dentro das arquibancadas, que respiram o sentimento de torcedor 24 horas por dia, continuam se apaixonando constantemente pelo grito que incendeia um estádio.

A questão muda quando esse encantamento parte de quem está do lado de fora, especialmente daqueles que ocupam as salas onde são tomadas as decisões sobre patrocínio, marketing e negócios.

Essa é uma reflexão que há algum tempo paira na minha cabeça: a força que uma torcida tem de criar magia em quem a observa de fora. Existe algo difícil de explicar nessa relação. Quando há disposição para sair do escritório, deixar de enxergar o torcedor apenas como consumidor e, de fato, conhecer quem está do outro lado, talvez aconteça um encontro que vai muito além de uma estratégia comercial. É de alma.

Quando o torcedor deixa de ser apenas um número

Uma visita recente do sócio-executivo da patrocinadora corintiana Fatal Fans, Samuel Ongaratto, à sede da Gaviões da Fiel ajuda a ilustrar esse ponto. Mais do que conhecer um espaço ligado à torcida, ele encontrou pessoas que vivem uma rotina que dificilmente apareceria em uma apresentação de marketing.

Achei espetacular, assim. Encontrei gente simples, gente trabalhadora, gente que se divide trabalhando, cumprindo lá uma função. E a torcida divide esses dois mundos, ela é corintiana seja na avenida ou seja lá na sede da Gaviões. E tem muita história lá”, contou Samuel.

O executivo relatou ter conversado com pessoas que trabalhavam nos carros alegóricos para as festividades de Carnaval. Entre elas, estava um padeiro que havia acabado de terminar o expediente e, em vez de simplesmente voltar para casa, decidiu dedicar parte do seu tempo à construção daquele projeto. É um detalhe aparentemente pequeno, mas que explica muito sobre a relação entre torcedor e clube.

A Fiel sabe fazer alguém se sentir em casa

Não é preciso concordar com todas as decisões de uma patrocinadora para reconhecer o valor de quando alguém que parte das salas de reunião e do ambiente corporativo decide atravessar essa distância e fazer parte. Mais do que estar presente, é preciso se sentir parte. E, se existe algo que a torcida corinthiana sabe fazer como poucas, é justamente criar esse sentimento de pertencimento.

Digo isso também por uma experiência que tive recentemente. Ao me aproximar um pouco mais da torcida, passei a frequentar um lugar chamado Fiel Jardim Brasil. Desde o primeiro momento em que coloquei os pés ali, fui recebida de uma maneira difícil de explicar. Existe uma capacidade muito particular da Fiel de transformar um espaço qualquer em uma extensão da arquibancada.

Por isso, viva aquela que sabe como ninguém ser casa. Viva a torcida corinthiana.
E viva o “poropopó” que, onde quer que a Fiel esteja, sempre encontra uma maneira de fazer parecer que estamos na arquibancada.

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