Opinião: Renato abre espaço para jovens e encontra em Gustavo Martins uma opção para o meio-campo

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Renato amplia os testes no Grêmio e encontra em Gustavo Martins uma alternativa para o meio-campo, enquanto jovens ganham espaço no elenco.

Os primeiros movimentos de Renato mostram um treinador disposto a olhar para todo o elenco, inclusive para a base.

Renato Portaluppi voltou ao Grêmio cercado por uma missão enorme: recuperar resultados, reorganizar o time e devolver confiança a um elenco que vinha vivendo um ambiente pesado. Mas existe algo nos primeiros dias de trabalho que, particularmente, me chama muita atenção: Renato está olhando para todos. Não apenas para os jogadores mais experientes ou para aqueles que já possuem espaço consolidado no grupo.

A presença de João Borne na delegação que viaja para Belém, para o confronto com o Remo, é mais um sinal dessa postura. O jovem atacante aparece como novidade no grupo depois de ganhar espaço nos treinamentos, algo que também havia acontecido durante as atividades realizadas ao longo da Data Fifa.

Renato está mostrando que ninguém está fora do radar

Na minha visão, esse comportamento é importante porque cria uma mensagem muito clara dentro do vestiário: todos precisam estar preparados porque todos podem ser observados. Isso vale para quem já está consolidado no profissional, para quem perdeu espaço e também para os garotos que estão tentando mostrar que podem dar o próximo passo.

E existe uma diferença importante entre simplesmente chamar um jovem para completar treinamento e efetivamente colocá-lo no radar para uma viagem. João Borne não está sendo tratado aqui apenas como mais um garoto da base. A presença dele entre os relacionados para Belém mostra que Renato quer conhecer melhor aquilo que o Grêmio possui dentro de casa.

Isso também responde a uma pergunta que muitos gremistas fizeram nos últimos meses: por que determinados jovens que não estavam recebendo oportunidades no profissional também não vinham tendo sequência na base? O próprio Renato levantou essa questão ao falar para a Grêmio TV, e considero que ela merece ser levada muito a sério.

Não estou dizendo que todo garoto da base precisa jogar imediatamente no time principal. Muito pelo contrário. Existe um processo, existe preparação e existe uma diferença enorme entre treinar bem e estar pronto para disputar uma partida de Campeonato Brasileiro. Mas se o jogador tem potencial, precisa estar sendo acompanhado, desenvolvido e testado.

Gustavo Martins como volante é um teste que merece atenção

Outro movimento de Renato que me agrada demais é a utilização de Gustavo Martins como volante. O zagueiro foi testado mais adiantado no jogo-treino contra o Sindicato dos Atletas Profissionais-RS, e essa é uma experiência que, na minha opinião, merece ser observada com muito carinho.

Gustavo tem características físicas que podem favorecer essa função. É um jogador de boa estatura, velocidade para a posição e imposição física. Como volante de entrada da área, poderia oferecer justamente uma característica que nem sempre o Grêmio encontra no setor: força para proteger a frente da defesa e presença física para disputar a segunda bola.

É claro que um teste não significa que Gustavo Martins virou volante. E também não significa que essa será sua nova posição definitiva. Mas é exatamente para isso que servem os treinamentos: para descobrir alternativas. Em um elenco que precisa encontrar soluções, considero muito positivo que Renato esteja disposto a procurar respostas onde antes talvez elas não fossem procuradas.

O mais importante é que o treinador parece estar utilizando esse período para conhecer profundamente as possibilidades que tem à disposição. O Grêmio realizou jogo-treino, trabalhou diferentes formações e buscou alternativas antes da retomada do Brasileirão contra o Remo.

O ambiente já começa a mudar no Grêmio

E existe algo que não aparece necessariamente em uma escalação, mas que qualquer pessoa que acompanha o Grêmio percebe: o astral mudou. As informações que chegam dos treinamentos de Renato têm produzido uma sensação diferente entre os torcedores, principalmente porque existe a percepção de que o treinador está mexendo, testando e procurando soluções.

Isso não significa que os problemas desapareceram. Muito pelo contrário. O Grêmio ainda precisa pontuar, ainda enfrenta uma situação delicada no Campeonato Brasileiro e terá um confronto direto importante contra o Remo. A partida está marcada para quarta-feira, 7 de outubro, às 19h30, no Mangueirão.

Mas futebol também é ambiente. E ambiente muda quando o jogador percebe que existe disputa, quando o jovem percebe que pode ter uma oportunidade e quando o torcedor percebe que o treinador está tentando encontrar caminhos diferentes.

É cedo para saber até onde essas experiências vão levar o Grêmio. João Borne pode entrar, pode não entrar. Gustavo Martins pode voltar à zaga e nunca mais atuar no meio. Outros garotos podem aparecer nos próximos treinamentos. O ponto principal, para mim, é outro: Renato está olhando para dentro do próprio clube.

E isso, em um momento de dificuldade, pode ser muito valioso. O Grêmio precisa contratar quando for necessário, precisa corrigir erros e precisa buscar resultados. Mas também precisa descobrir se possui dentro de casa jogadores capazes de ajudar agora ou nos próximos meses.

Na minha opinião, esse é um dos melhores sinais desses primeiros dias de Renato: ninguém parece ter vaga garantida e ninguém parece estar descartado antes de ser observado. É assim que um elenco competitivo começa a nascer.

A torcida gremista ainda precisa ter paciência, porque não existe mudança instantânea no futebol. Mas já é possível perceber uma energia diferente. E quando um treinador consegue fazer o elenco acreditar novamente que existe espaço para quem trabalhar, competir e mostrar serviço, o ambiente começa a mudar.

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