Abel desabafa sobre pressão no Palmeiras e culpa a imprensa por intoxicação do futebol

PUBLICIDADE

abel-desabafa-sobre-pressao-no-palmeiras-e-culpa-a-imprensa-por-intoxicacao-do-futebol

Abel expõe as feridas de um meio obsessivo: O treinador rompe o silêncio e mostra como a cultura do resultado a qualquer custo consome o futebol brasileiro

Classificado para as quartas de final da Libertadores com o triunfo de 1 a 0 diante do Cerro Porteño no Paraguai, o Palmeiras viu Abel Ferreira ir além da análise tática do jogo. Em um tom contundente, o comandante alviverde desabafou sobre o atual momento do futebol no Brasil. Abel apontou uma visão “doentia” do meio esportivo, onde apenas o título é valorizado e o trabalho contínuo das equipes acaba sumariamente descartado.

Para o treinador, as cobranças impostas ao Verdão durante o jejum de quatro partidas — encerrado justamente no confronto na Nueva Olla — ultrapassaram totalmente os limites do razoável.

“O futebol, de modo geral, está doente. Por quê? Porque, se não ganhar, és fraco. Se não ficares em primeiro, não prestas. O segundo é uma m**, e vamos por aí adiante. O futebol não é só o futebol brasileiro. O futebol, de uma forma geral, está doente. Andamos todos obcecados com o sucesso, com o primeiro lugar, e pouca gente valoriza o esforço daqueles que tentam sempre para lá chegar”, iniciou o treinador.

Para Abel, a contaminação do futebol desvaloriza o trabalho

O comandante palestrino entrou em detalhes para explicar a contaminação no esporte e, desta forma, sobraram farpas direcionadas à imprensa: “Estamos acostumados com a pressão da imprensa brasileira, então é claro que sabemos que era um jogo que podia definir o momento de uma época. Mas são poucas as equipes do futebol brasileiro que estão em todas as competições”.

“Esse Palmeiras de agora, desde 2020, vocês olham para as caras e temos a capacidade de transformar em uma equipe super vencedora. Não só valorizar o futebol brasileiro, mas também os títulos que arrecadamos para o nosso clube, revelar jogadores, e pouca gente fala disso. Tem alguns colegas seus que admiro, mas tem outros que vou ter que começar a pôr os nomes, porque muitos de vocês, da imprensa, da forma como falam, intoxicam o futebol brasileiro”, completou.

Futebol mais mental do que tático

Abel finalizou apontando a necessidade constante de evolução: “O campeão é aquele que jamais para de pedalar. Se tivéssemos perdido hoje, amanhã era para continuar a pedalar. Na vida e no futebol, há uma coisa que não podemos fazer: parar de pedalar. Este é um grupo com muito talento, mas não chega. Talento só não ganha jogos. É preciso juntar esforço, química e energia para criar um grupo e uma cultura vencedora”.

O treinador usa o atual elenco do Verdão para exemplificar sua tese sobre pressão: “Este é um grupo novo, que está a aprender o que é representar e jogar no Palmeiras. O futebol hoje é muito mais mental do que técnico ou tático. O facto de estar sempre a competir e perder faz de mim um perdedor? Não. O perdedor é aquele que desiste. O campeão é aquele que jamais para de pedalar. O futebol devia unir as pessoas, criar emoções e momentos em família. Não deixem que o futebol fique doente. Todos vivemos do mesmo produto: a bola. É disto que nós vivemos”.

Mais recentes

PUBLICIDADE

Rolar para cima