Abel Ferreira não deve ser demitido pelo Palmeiras após uma eliminação

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Mesmo diante de uma eventual eliminação, relação entre presidente e treinador pesa para uma decisão mais cautelosa

Uma eliminação do Palmeiras, por mais dolorosa que seja, não parece suficiente para imaginar Leila Pereira simplesmente decidindo pela demissão de Abel Ferreira, segundo a ESPN. O português pode ser criticado, suas escolhas podem ser questionadas e o trabalho pode ser analisado com rigor, mas existe uma diferença enorme entre isso e romper um dos trabalhos mais vitoriosos da história do clube.

Leila sempre demonstrou uma confiança muito grande em Abel. A presidente sustentou o treinador em momentos de pressão e manteve uma postura firme mesmo quando parte da torcida pediu mudanças. Isso não significa que Abel seja intocável. Significa apenas que qualquer avaliação precisa considerar todo o contexto e não somente o resultado de uma partida ou de uma eliminação.

Por isso, mesmo em um cenário de frustração esportiva, seria difícil imaginar uma decisão imediata. O caminho mais plausível, caso a temporada terminasse de maneira realmente catastrófica, seria uma conversa entre as partes no fim do ano para avaliar se ainda existe convicção para iniciar um novo ciclo.

A relação entre Leila e Abel pesa

O vínculo construído entre Leila Pereira e Abel Ferreira é um dos principais elementos dessa discussão. A presidente não costuma mudar sua posição simplesmente porque as redes sociais estão pressionando. Ela pode ouvir críticas, mas as decisões do clube precisam ser tomadas internamente.

E isso também vale para a análise do treinador. É perfeitamente possível criticar Abel por determinadas escolhas sem defender sua demissão. Um exemplo é a utilização de determinadas peças no time. Quando uma escalação não funciona, o torcedor naturalmente questiona quem ficou no banco. Só que, muitas vezes, essa avaliação é feita depois do resultado.

Foi exatamente o que aconteceu em partidas nas quais jogadores como Maurício ou Flaco López começaram no banco. Se o Palmeiras vence, a decisão do treinador pode ser vista como acertada. Se perde, imediatamente surge a percepção de que quem estava no banco deveria ter começado jogando. O resultado acaba condicionando a análise.

Palmeiras precisa separar cobrança de ruptura

Abel deve ser cobrado quando o Palmeiras joga mal. O elenco precisa ser cobrado. A diretoria precisa ser cobrada. Reforços podem ser necessários e determinadas escolhas precisam ser discutidas. Nada disso entra em conflito com a defesa da permanência do treinador.

O ponto é que uma coisa é reconhecer problemas no trabalho; outra é concluir que o ciclo terminou. Se um dia Leila e Abel entenderem que a relação chegou ao fim, o ideal seria que essa decisão fosse tomada de maneira planejada, preferencialmente ao término da temporada, e não como uma reação imediata a uma eliminação.

A história construída pelo treinador no Palmeiras é grande demais para uma decisão tomada no calor do momento. Se houver uma mudança, ela precisa ser consequência de uma avaliação profunda sobre o futuro do projeto — e não simplesmente da revolta causada pelo último resultado.

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