Relembre episódios curiosos, declarações polêmicas e momentos inusitados da carreira do Baixinho
Romário construiu uma das carreiras mais marcantes do futebol brasileiro, mas o talento dentro de campo nunca foi sua única característica. O Baixinho também ficou conhecido pela personalidade forte, pelas respostas sinceras e por um jeito irreverente que rendeu histórias para além das quatro linhas.
Ao longo dos anos, o ex-atacante protagonizou episódios curiosos, declarações polêmicas, provocações e situações que até hoje fazem parte da memória dos torcedores. Entre companheiros, adversários, treinadores e dirigentes, Romário quase nunca passou despercebido.
Seja por uma frase inesperada ou por alguma atitude inusitada, o Baixinho acumulou histórias tão divertidas quanto controversas. Nesta lista, relembre 20 episódios que ajudam a explicar por que Romário é um dos personagens mais únicos do futebol brasileiro.
20) A rusga histórica fora dos campos e o corte na Copa

A relação de Romário com Zico na Seleção Brasileira sempre flertou com a polêmica, mas as faíscas reais aconteceram bem longe dos treinamentos de bola parada da década de 80. Durante os preparativos para o Mundial da França, o experiente Galinho de Quintino atuava como coordenador técnico da comissão liderada por Zagallo. A cena que chocou o país não foi um bate-boca por uma falta, mas sim o anúncio do corte do Baixinho por lesão às vésperas do torneio, gerando uma revolta pública inédita do atacante contra os veteranos.
Embora o episódio tenha ficado marcado pelas lágrimas do camisa 11 e por desabafos pesados na imprensa, ele alimentou a mística de que o atacante não aceitava decisões impostas fora de campo. Para Romário, sua recuperação física era garantida por sua própria vontade técnica, e ele não viu problema algum em peitar o maior ídolo da história do Flamengo em processos judiciais posteriores e caricaturas irônicas nas portas de seu bar.
19) A exigência do consórcio de marcas parceiras

Ao acertar sua transferência milionária para o Flamengo em 1995, Romário não se limitou a negociar apenas com os cofres tradicionais do clube carioca. O atacante exigiu uma engenharia financeira totalmente incomum para a época: a criação de um pool de grandes empresas multinacionais para garantir o pagamento integral de seus vencimentos e direitos de imagem corporativos.
A diretoria rubro-negra aceitou o acordo apostando em um consórcio de patrocinadores pesados para viabilizar a transação histórica. Embora a engenharia tenha gerado burburinho na imprensa esportiva sobre a modernização agressiva do mercado brasileiro, ela evidenciava o gigantismo comercial de Romário, que transformava seu retorno ao país em um modelo pioneiro de marketing esportivo altamente lucrativo.
18) O milésimo gol de pênalti e a comemoração com placa

Em maio de 2007, atuando pelo Vasco em um jogo contra o Sport, em São Januário, Romário atingiu a marca histórica e cercada de misticismo de mil gols na carreira. O momento tão aguardado veio através de uma cobrança de pênalti convertida com a tranquilidade habitual, explodindo a torcida vascaína em festa generalizada.
A partida ficou paralisada por quase vinte minutos para uma celebração monumental que incluiu camisa comemorativa personalizada, placa gigante e lágrimas de emoção do próprio artilheiro. Embora houvesse um debate estatístico acalorado na imprensa sobre a validade de gols em partidas amistosas e categorias de base somados à contagem, o evento foi coroado como um dos grandes momentos do futebol brasileiro.
17) A transição bem-sucedida para a política

Depois de pendurar as chuteiras de vez, Romário surpreendeu os analistas políticos ao migrar com sucesso para a vida pública, elegendo-se deputado federal e, posteriormente, senador pelo Rio de Janeiro. No Congresso, ele assumiu bandeiras ligadas ao esporte, à inclusão de pessoas com deficiência e ao combate à corrupção na cartolagem.
Sua atuação mais emblemática nessa fase foi a presidência da CPI do Futebol, onde colocou antigas figuras poderosas da CBF contra a parede. A transição de gênio indisciplinado dos gramados para um legislador atuante e incisivo gerou enorme curiosidade pública, provando que sua combatividade habitual encontrava eco fora das quatro linhas.
16) O plano do retorno aos gramados aos 58 anos

Em 2024, atuando na presidência do América-RJ, clube do coração de seu falecido pai Edevair, Romário surpreendeu o planeta ao anunciar sua inscrição oficial como atleta na segunda divisão do Campeonato Carioca. Aos 58 anos de idade, o Baixinho voltou a treinar forte e a figurar na relação de atletas prontos para vestir a camisa vermelha e branca.
A iniciativa mobilizou a imprensa internacional e encheu o estádio do América de torcedores nostálgicos ansiosos para ver o lendário camisa 11 em ação novamente. Embora sua participação tenha ficado restrita ao banco de reservas sem somar minutos oficiais em campo, o episódio reforçou a aura única de um jogador que parecia ditar as próprias regras do tempo.
15) A famosa frase sobre o desempenho sexual e os gols

Conhecido por nunca esconder seus hábitos boêmios e sua intensa vida social fora dos gramados, Romário cunhou diversas frases marcantes ao longo da carreira sobre a relação entre suas noitadas e seu rendimento em campo. Para ele, estar relaxado e satisfeito extracampo era um combustível indispensável para marcar gols.
Em várias entrevistas bem-humoradas, o atacante afirmava sem filtros que o desempenho sexual ativo ajudava a mantê-lo leve e focado nas partidas. Essa sinceridade crua e desprovida de pudores morais divertia os torcedores e irritava os setores mais conservadores da crônica esportiva, cristalizando a persona autêntica do Baixinho.
14) A resposta épica sobre quem estaria no topo da história do futebol

Questionado frequentemente por jornalistas sobre como se comparava a lendas históricas como Pelé e Diego Maradona, Romário nunca demonstrou falsa modéstia, mas fez questão de respeitar hierarquias sagradas. Sua resposta definitiva virou folclore: enquanto ele se considerava um dos maiores de todos os tempos, garantia que apenas quatro deuses do futebol jogaram mais do que ele.
O atacante argumentava com sua clareza habitual que Pelé, Maradona, Messi e Garrincha eram os únicos que de fato o superavam na história do esporte. A declaração gerou debates intermináveis entre puristas do futebol e fãs do Baixinho, cimentando sua fama de dono de um julgamento afiado que sabia reconhecer o topo do mundo sem perder o orgulho de seu próprio talento.
13) As peladas na areia de Copacabana

Mesmo no auge absoluto de sua carreira na Europa e vestindo a camisa da Seleção Brasileira, Romário jamais abriu mão de suas origens nas areias cariocas. Era figura carimbada na badalada rede do Posto 2 de Copacabana, onde passava horas disputando partidas intensas de futevôlei de altíssimo nível com atletas consagrados e amigos do futebol.
Essas aparições constantes davam calafrios nos dirigentes dos clubes em que jogava, que temiam lesões articulares decorrentes do esforço físico extra na areia fofa. No entanto, o Baixinho sustentava que era justamente naquele ambiente descontraído que ele mantinha o reflexo em dia, o toque de bola refinado e a alegria que levava para os gramados profissionais.
12) O nocaute histórico em Simeone

Durante um clássico eletrizante entre Barcelona e Sevilla no Campeonato Espanhol, Romário protagonizou um dos lances mais polêmicos e comentados da história recente do futebol europeu. Ao receber a bola e sofrer uma forte provocação do temido volante argentino Diego Simeone, o brasileiro aplicou um soco de esquerda impecável.
Sem deixar espaço para novas catimbas no chão, ele acertou o rosto do adversário com extrema naturalidade, deixando o rival completamente estirado em campo. O lance virou o símbolo máximo da audácia explosiva do Baixinho, que tratava defensores ferozes com punhos de aço em suas exibições de gala.
11) O dia em que curtiu a balada até a sexta-feira antes de decidir um clássico

A paixão de Romário por festas e pela vida noturna carioca nunca foi segredo para ninguém em seu círculo íntimo, mas seus hábitos de preparação para jogos decisivos seguiam uma cartilha muito própria. Em uma ocasião clássica, ele aproveitou a gandaia até altas horas na sexta-feira com amigos, sem consumir uma gota de álcool.
No sábado, foi direto para a concentração oficial, descansou com total disciplina, entrou em campo no clássico de domingo e marcou gols fundamentais para a vitória de sua equipe. O episódio virou lenda urbana entre os boleiros, alimentando a mística de que as leis da física e da fisiologia esportiva simplesmente não se aplicavam ao Baixinho por sua capacidade de conciliar curtição e alto rendimento.
10) A fuga inusitada para o calor do Rio de Janeiro

Durante sua passagem de sucesso pelo PSV Eindhoven, no início dos anos 90, Romário chocou os tradicionais e discretos diretores holandeses com um hábito de folga para lá de inusitado. Após cumprir suas obrigações no fim de semana, o brasileiro simplesmente sumia do país gelado e pegava o primeiro voo de volta para as praias cariocas.
Embora o sumiço fosse comum em momentos de saudade de suas origens, na Europa daquela época causou enorme estranhamento e foi amplamente debatido pela imprensa local como uma quebra de disciplina esportiva. Para o Baixinho, no entanto, tratava-se apenas de recarregar as energias com a alegria de sua terra natal, pouco se importando com as rígidas etiquetas e o clima rigoroso do futebol europeu.
9) O dia em que partiu para a briga com um torcedor nas Laranjeiras

Em 2003, após uma sequência de resultados ruins do Fluminense no Campeonato Brasileiro, um grupo de torcedores invadiu o treino nas Laranjeiras determinado a cobrar satisfações físicas e verbais do elenco tricolor. Enquanto a maioria dos jogadores buscou rotas de fuga ou tentou ignorar os protestos com galinhas jogadas no campo, Romário adotou a postura oposta.
O atacante simplesmente caminhou a passos firmes na direção das arquibancadas, peitou os manifestantes mais exaltados e trocou agressões físicas de igual para igual no meio do cimento até a chegada dos seguranças. A coragem física e a marra inabalável diante da pressão popular demonstraram que o Baixinho nunca fugia de um confronto, seja dentro ou fora de campo.
8) O carro gigante estacionado ao lado do gramado do Vasco

Amante confesso de veículos importados de altíssimo padrão, Romário tinha uma relação muito particular com as normas de trânsito internas dos centros de treinamento. Em sua vitoriosa passagem pelo Vasco da Gama nos anos 2000, sem paciência para usar o espaço comum dos atletas, ele simplesmente conquistou o direito de parar seu gigantesco jipe Hummer bem ao lado do gramado principal de São Januário.
Quando o restante do elenco via o veículo militar americano estacionado na beira do campo, entendia o tamanho do prestígio do artilheiro junto à presidência. O causo ilustra como a diretoria cruz-maltina oferecia regalias exclusivas para manter seu principal craque motivado, tratando as exceções administrativas como um preço justo para garantir os gols do Baixinho.
7) O dia do hat-trick histórico no El Clásico

Em 1994, às vésperas de um clássico decisivo pelo Barcelona contra o Real Madrid, Romário entrou em campo focado em consolidar sua idolatria na Catalunha. Diante da marcação pesada do arquirrival espanhol, o atacante disparou uma exibição audaciosa de gala: desestruturou completamente a defesa madrilenha com seus dribles secos e velocidade implacável na grande área.
Para espanto geral, Romário não marcou apenas um, mas três gols na goleada histórica por 5 a 0 sobre o arquirrival, correu para celebrar com a torcida no Camp Nou após o apito final e ainda ouviu Cruyff declarar publicamente que ele era o jogador mais genial que já tinha treinado na vida. A atuação bem-sucedida virou um dos maiores marcos da era de ouro do clube catalão.
6) A escapada estratégica na Copa América da Bolívia

As famosas escapadas noturnas de Romário durante as convocações para a Seleção Brasileira eram segredos abertos que divertiam a imprensa e desesperavam os preparadores físicos. Mestre em encontrar brechas nas regras rigorosas de concentração, ele uniu forças com Ronaldo Fenômeno para driblar o forte esquema de segurança do hotel.
Em uma ocasião clássica, a dupla usou uma escada e uma porta dos fundos destrancada na Bolívia para curtir a noite local, retornando sorrateiramente de madrugada a tempo de cumprir a agenda de treinos como se nada tivesse acontecido. A audácia intocável reforçava sua fama de gênio indomável que respondia em campo independentemente de sua agitada vida social.
5) A chegada apoteótica ao Flamengo em cima do caminhão de bombeiros

No início de 1995, em meio a uma comoção nacional que marcou seu retorno triunfal do futebol europeu para o futebol brasileiro, Romário foi apresentado oficialmente como o novo reforço bombástico do Flamengo. Em vez de utilizar a porta da frente da sede da Gávea ou chegar de carro, ele optou por um ingresso cinematográfico.
O atacante desfilou em cima de um caminhão de bombeiros diretamente pelas ruas do Rio até o gramado do clube, cercado por uma multidão ensandecida de torcedores e jornalistas que celebravam o retorno do melhor jogador do mundo. A cena faraônica elevou o patamar das apresentações de astros no Brasil e inaugurou a sua segunda passagem rubro-negra sob o signo do espetáculo absoluto.
4) A polêmica cobrança de Luis Aragonés no Valencia

Durante sua passagem pelo Valencia, Romário protagonizou choques culturais e de ego homéricos com o lendário e intempestivo técnico Luis Aragonés. Em uma discussão acalorada no gramado sobre a autoridade técnica e o controle do grupo, o treinador espanhol bateu de frente com o atacante brasileiro.
Demonstrando total fúria diante das câmeras e da imprensa local, Aragonés disparou cobranças ríspidas exigindo que o jogador olhasse fixamente em seus olhos enquanto ditava as regras do elenco. O atrito insustentável escancarou a dificuldade dos treinadores europeus tradicionais em enquadrar a personalidade rebelde do brasileiro, culminando na saída relâmpago do jogador de volta ao Brasil.
3) A treta com Edmundo e a caricatura no banheiro

A relação de amor e ódio entre Romário e Edmundo no futebol carioca rendeu episódios que flertavam permanentemente com a provocação pública e a guerra fria. Na inauguração de seu novo empreendimento comercial na Zona Oeste do Rio, Romário decidiu mandar grafitar uma imagem inesquecível de seu companheiro de ataque.
O Baixinho mandou pintar uma foto gigante e caricata do rosto de Edmundo sentado em uma bola murcha na porta do banheiro masculino de sua boate, apenas para ironizar o temperamental Animal. A brincadeira ácida gerou revolta, rompimento da amizade e processos na Justiça, ilustrando a dinâmica caótica daquela dupla letal fora dos gramados.
2) A rivalidade ácida com o Rei Pelé

Ao longo das décadas, as trocas de farpas públicas entre Romário e Pelé alimentaram debates acalorados e manchetes memoráveis na imprensa mundial. Enquanto o Rei do Futebol criticava com frequência a insistência do Baixinho em continuar jogando profissionalmente com idade avançada, o atacante respondia com uma ironia cortante.
Ao longo das décadas, as trocas de farpas públicas entre Romário e Pelé alimentaram debates acalorados e manchetes memoráveis na imprensa mundial. Enquanto o Rei do Futebol criticava com frequência a insistência do Baixinho em continuar jogando profissionalmente com idade avançada, o atacante respondia com uma ironia cortante.
1) O título mundial de 1994 conquistado quase sozinho

A consagração máxima de Romário aconteceu na Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 1994, quando ele carregou uma Seleção Brasileira desacreditada e travada taticamente nas costas rumo ao tetracampeonato. Marcando gols decisivos em praticamente todas as fases cruciais, o Baixinho foi o dono absoluto da competição.
Sua atuação monumental blindou a equipe de Parreira contra todas as críticas da imprensa e garantiu a taça que encerrou um jejum de 24 anos, coroando-o merecidamente como o melhor jogador do planeta naquele ano. Embora a conquista tenha sido coletiva, a narrativa histórica eternizou o torneio como o “show de um homem só”.



