O empate ajuda a estancar a crise, mas não resolve os problemas do Grêmio.
O Grêmio ficou no 1 a 1 com o Mirassol neste domingo, pelo jogo de ida da Copa do Brasil. O resultado foi melhor que o desempenho, mas ajuda a estancar a crise e deixa tudo em aberto para a decisão de quarta-feira, na Arena.
O 1 a 1 com o Mirassol é daqueles resultados que precisam ser analisados com cuidado. Não foi uma grande atuação do Grêmio, longe disso. Mas, considerando o momento do time e a pressão que vinha aumentando a cada jogo, o empate serve para pelo menos estancar um pouco a crise. Só não pode servir para escondê-la.
O Grêmio segue apresentando problemas, segue precisando jogar mais e, principalmente, precisa mostrar que consegue transformar uma reação pontual em mudança de comportamento. A classificação continua completamente aberta, e isso é o que realmente importa agora. Quarta-feira, na Arena, será preciso fazer muito mais.
O resultado foi melhor que o desempenho
Não vejo motivo para transformar o empate em uma grande atuação do Grêmio. O time teve mais posse no primeiro tempo, 58% contra 42%, mas isso não significou controle absoluto da partida. Foram seis finalizações tricolores contra cinco do Mirassol, com apenas uma bola no gol para cada lado.
Depois do intervalo, o cenário mudou. No jogo inteiro, o Mirassol terminou com 53% de posse, contra 47% do Grêmio. As equipes finalizaram 12 vezes cada, mas o Tricolor levou três dessas conclusões ao gol, contra duas do adversário.
O dado mais importante, porém, não está na estatística. Está no placar. O Grêmio conseguiu buscar o empate depois de sair atrás e volta para Porto Alegre vivo na disputa. Amuzu marcou, com assistência de Tetê, e evitou que uma atuação novamente abaixo do esperado se transformasse em mais uma derrota.
É pouco? É. Mas, neste momento, também é importante.
O problema é achar que esse 1 a 1 resolve alguma coisa. Não resolve. Apenas dá ao Grêmio a oportunidade de resolver na Arena.
Wallace foi uma das poucas grandes notícias
Se o empate não permite grandes comemorações, algumas atuações individuais merecem ser valorizadas. Diego Caito fez uma boa partida e mostrou novamente que pode ser uma alternativa interessante para a equipe.
Mas Wallace, para mim, foi o melhor jogador do Grêmio no Maião.
E não é apenas uma impressão. Os números mostram uma atuação muito segura do zagueiro: dois desarmes, três interceptações, oito cortes, dois chutes defendidos e três recuperações de bola.
Nos duelos, Wallace também foi muito bem. Ganhou os dois confrontos aéreos que disputou e venceu cinco dos seis duelos pelo chão. Com a bola, ainda teve 96% de acerto nos passes, com 52 certos em 54 tentativas.
Em uma equipe que ainda demonstra insegurança defensiva, encontrar uma atuação desse nível é uma notícia positiva. E talvez seja justamente disso que o Grêmio precise agora: respostas individuais que ajudem a construir uma resposta coletiva.
Quarta-feira não permite o mesmo Grêmio
Existe um detalhe que aumenta ainda mais a importância da partida da Arena: em cinco confrontos, o Grêmio ainda não conseguiu vencer o Mirassol. Pela primeira vez, porém, também não saiu derrotado.
Ou seja, ficou tudo para quarta-feira.
E é aí que está o ponto principal da minha análise. O empate foi útil porque interrompe uma sequência ruim e mantém o Grêmio vivo. Mas não pode ser usado como prova de que os problemas desapareceram.
Não desapareceram.
O Grêmio ainda precisa apresentar mais intensidade, mais segurança e mais futebol. Precisa aproveitar o fato de jogar em casa e transformar a Arena no diferencial que pode decidir essa classificação.
O 1 a 1 foi melhor que o desempenho. Foi um resultado que estanca a crise, mas não encerra a crise.
Agora é resolver em casa. Quarta-feira, não basta não perder. É preciso mostrar que o Grêmio está pronto para voltar a ganhar.





