Palmeiras reencontra Estudiantes após quase 60 anos e busca revanche histórica na Libertadores

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Final de 2026 reedita a decisão de 1968, quando o time argentino conquistou seu primeiro título continental contra a Academia palmeirense; Montevidéu volta a ser palco do confronto, agora com o Verdão em busca do tetracampeonato

O Palmeiras terá um adversário carregado de simbolismo na decisão da Libertadores. Em busca do tetracampeonato continental, o Verdão enfrentará o Estudiantes de La Plata no dia 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai. O time argentino surpreendeu o Flamengo na semifinal, dentro do Maracanã, na última quinta-feira (22), em disputa por pênaltis.

O confronto colocará frente a frente duas equipes que já decidiram a competição há quase seis décadas, em uma final que permanece como uma das páginas dolorosas da história alviverde. O reencontro acontece 58 anos depois da decisão de 1968, quando o Estudiantes conquistou o primeiro de seus quatro títulos da Libertadores justamente diante do Palmeiras.

Agora, a equipe comandada por Abel Ferreira terá a oportunidade de buscar uma revanche histórica e conquistar a quarta taça continental do SEP, em uma campanha que também pode homenagear a geração da Primeira Academia, de Ademir da Guia, Dudu, Servílio, Valdir Joaquim de Morais, entre outras lendas do clube.

Como foi a final entre Palmeiras e Estudiantes em 1968?

A decisão de 1968 foi disputada em um formato diferente do atual. Naquela época, o saldo de gols não era utilizado como critério de desempate na final. Por isso, depois de uma vitória para cada lado, Palmeiras e Estudiantes precisaram disputar uma terceira partida em campo neutro para definir o campeão.

No primeiro confronto, na Argentina, o Estudiantes venceu por 2 a 1. Na partida de volta, em São Paulo, o Palmeiras respondeu com uma vitória por 3 a 1, igualando a disputa e levando a decisão para um jogo extra. O regulamento previa justamente essa possibilidade quando cada equipe vencia uma das partidas da final.

A terceira partida foi marcada para o Estádio Centenário, em Montevidéu. O Estudiantes venceu por 2 a 0 e conquistou a primeira Libertadores de sua história, frustrando o sonho palmeirense de levantar a taça pela primeira vez. O grande nome daquela decisão foi Juan Ramón Verón, autor de gols na série final e pai de Juan Sebastián Verón, atual presidente do clube argentino e integrante da equipe campeã continental de 2009.

Foto: gerada com auxílio de IA pelo Bolavip Brasil

Por que o Palmeiras escolheu jogar em Montevidéu?

A escolha de Montevidéu para a finalíssima de 1968 teve razões práticas. Segundo apuração do Bolavip Brasil com fontes que estudam a história do Palmeiras, à época, a Confederação Sul-Americana apresentou duas possibilidades para sediar a terceira partida: Montevidéu, no Uruguai, e Santiago, no Chile.

O Estudiantes preferia a capital uruguaia pela proximidade geográfica com La Plata, o que facilitaria o deslocamento de sua delegação e de seus torcedores. O Palmeiras também optou por Montevidéu, considerando a viagem mais curta e conveniente em comparação com a alternativa chilena.

O calendário do futebol brasileiro daquele período também ajuda a contextualizar a decisão. Entre a segunda partida e a finalíssima, o Palmeiras tinha compromissos importantes pelo Campeonato Paulista, incluindo um clássico contra o Corinthians.

Três dias depois da decisão continental, enfrentaria o Santos de Pelé, um dos grandes rivais daquela geração. Naquele cenário, o Estadual tinha enorme peso esportivo e financeiro para os clubes brasileiros, o que tornava a logística das viagens um fator relevante.

Apesar das circunstâncias, o resultado no Centenário foi desfavorável ao time brasileiro. O Estudiantes venceu por 2 a 0 e transformou Montevidéu no cenário da primeira conquista continental de sua história. No retorno a São Paulo, o Palmeiras também seria derrotado pelo Santos na final do Estadual por 3 a 1, amargando novo vice.

Centenário traz lembranças diferentes para o Palmeiras

Quase seis décadas depois, o mesmo estádio volta a receber uma decisão entre os clubes. Desta vez, porém, o Centenário também desperta lembranças positivas para o torcedor palmeirense. Foi em Montevidéu que o Verdão conquistou o bicampeonato da Libertadores, em 2021, ao derrotar o Flamengo por 2 a 1 na prorrogação, com o gol decisivo de Deyverson.

O palco uruguaio, portanto, reúne dois capítulos distintos da história alviverde: a frustração de 1968 e a celebração de 2021. A final de 2026 oferece a oportunidade de acrescentar uma nova lembrança positiva a essa trajetória e, ao mesmo tempo, fechar simbolicamente uma ferida histórica que atravessou gerações de palmeirenses.

Abel Ferreira pode escrever mais um capítulo histórico

A decisão também representa a chance de Abel Ferreira ampliar seu legado no Palmeiras. O treinador português conduzirá o clube a mais uma final continental, com a possibilidade de conquistar o terceiro título de Libertadores de sua trajetória no Verdão e o quarto da história palmeirense, após as taças de 1999, 2020 e 2021.

Mais do que a disputa por um troféu, o confronto com o Estudiantes carrega o peso da memória. Em 1968, a Primeira Academia encantou pelo futebol, mas terminou sem a taça que hoje ocupa um lugar especial na história do clube. Em 2026, o Palmeiras terá a oportunidade de buscar o tetracampeonato no mesmo estádio em que perdeu aquela finalíssima, transformando a lembrança de uma derrota histórica em motivação para uma nova conquista.

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